A indesejada das gentes: uma breve reflexão.

Tudo que sabemos sobre ela (a morte) não é suficiente para acalmar nossos corações. O medo da morte está ligado ao medo do desconhecido, insegurança e descontentamento. Desconhecemos o que virá após. A fé, em um mundo vindouro ou paraíso, é a única esperança aceitável.

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável), talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar. (Manuel Bandeira)

A verdade é que ninguém está pronto para lidar com a morte, todos independente de classe social, raça ou credo em algum momento passará por tal infortúnio, uns mais cedo outros mais tarde, porque a indesejada das gentes é um cobrador muito sério, não dá documento mas só recebe uma vez. É como diziam os mais antigos “para morrer só precisa estar vivo”.

Portanto, a reflexão que faço, hoje, é de alguém que acumulou muitas perdas, então, escrevo com total pesar. O fato é que nunca, absolutamente, nunca estaremos preparados para lidar com algo irreversível e por demais desconhecido.

Ariano Suassuna descreveu a morte como sendo aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, algo que iguala todos em um único rebanho, pois, tudo que é vivo, morre.

Às vezes nosso estranho destino faz com que deixemos pelo caminho um pouco de nós mesmos, perdendo em cada rasto a nossa desconhecida biografia, parafraseando, Nelson Saúte.

Portanto, nessas horas não existem diferenças. Não importa se você tem um carro do ano, pode usar um perfume caro, ou até até mesmo é pós doutor. Nada é permanente, daqui não levaremos nada. No final, o que precisamos mesmo é nos tornarmos mais humanos para puder entender a dor alheia, nesse sentido fazer o que for preciso para o bem comum.

É necessário clareza, mas sobretudo é preciso ter empatia com nosso próximo. Isso serve para tudo, afinal, o que importa não é a quantidade de bens materiais que você acumulou ao longo da vida, mas quanto disso você pode, de coração, compartilhar. Isso se aplica a tudo, palavras, sentimentos e orações.

É aí que entendo a fala de Jesus de Nazaré para aquele Jovem rico, ele disse: “Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me.”

Concluo essa breve reflexão na certeza de que enquanto há vida há esperança. Porém, eu acredito numa vida após a morte, nesse sentido que possamos ser pessoas melhores agora, não para merecer o paraíso, pois, isso só através da graça, mas para que nossa biografia seja escrita com fé e prática.

Ter empatia por aqueles que perderam seus entes queridos. Aproveitar cada minuto com as pessoas que amamos. certo que a “indesejada das gentes”, não pode apagar a história de quem fez por merecer a memória em nossos corações.

Publicado por Orlando Lima

Sou servidor público, casado, pai de Davi, administrador e especialista em Gestão de Projetos. Faço arte digital no meu tempo livre além de desenvolver conteúdo sobre administração e áreas afins.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: